domingo, 10 de abril de 2011

Luzia-Homem, na pole position!


Minha lista de livros que li no ano, organizados na ordem dos que eu mais gostei para os que menos, já ganhou, em Março, um potencial pole position. Luzia-Homem, do escritor cearense Domingos Olímpio é um livro fascinante e, então, para imitar a Camila Travassos: #ficaadica; e para imitar o Thiago César: #RECOMENDO. Thay Freitas, temos que criar nossos bordões...

O livro conta a história de Luzia, uma mulher muito bonita de corpo e em alguns momentos se mostra bem vaidosa. Mas também tem a força física de um homem, sua força de trabalho e coragem é sempre invejada pelos demais. Ganhou o apelido de Luzia-Homem no dia em que seu amigo Raulino estava sendo atacado por um boi e ela foi lá, derrubou o boi com as mãos [lembrar da cena do Selton Mello derrubando um em Lisbela e o Prisioneiro] e ainda carregou o amigo nos braços até a enfermaria.

Luzia é apaixonada por Alexandre, que tem as características atribuídas aos homens de bem: honesto, respeitador, dedicado, companheiro, humilde. Ele também é apaixonado por ela, mas há uma frescura sem tamanho para eles ficarem juntos. E tem também o Crapiúna, um soldado obsessivo por ela, e vai fazer tudo que há de ruim para afastar o casal. Pense em tudo de ruim que o ser humano pode ser e coloque em Crapiúna. Ainda faltará alguma coisa para definir completamente esse malamanhado.

A história, mais do que resumida, é assim: como Luzia não dá trela para o soldado, ele assalta o armazém que Alexandre trabalha a faz parecer que foi este que cometeu o crime. O bonzinho vai preso e Luzia se dedica inteiramente a soltá-lo. Terezinha, melhor amiga dela, descobre uma prova de que o culpado é Crapiúna, entrega-o e fazem a permuta: soltam Alexandre e prendem meliante. Depois ele consegue fugir, vai se vingar de Terezinha, Luzia a defende e acaba morrendo, mas antes arranca um olho do fi duma égua com a mão [vibrei nessa hora!].

A cena final resume bem o que transmite o livro. A morte de Luzia, com um olho de Crapiúna na mão direita, representando o mal; e o cravo que Alexandre lhe deu na mão esquerda, representando o bem. Essa dualidade permeia todo o livro.

O livro mantém duas características clássicas do Naturalismo por toda obra: o cientificismo na linguagem do narrador e o determinismo [teoria de que o homem é definido pelo meio]. O texto todo é muito ágil, com momentos de descrições. As coisas acontecem rapidamente, o que deixa o texto bem empolgante, e as descrições do autor são bem vivas, como poucos sabem fazer.

A linguagem do narrador é científica, mas a fala e a ação dos personagens, não. A religião é uma marca sempre presente nos diálogos e nas atitudes. Essa participação intensa da religião também traz uma característica bem brasileira quanto a fé: a mistura de religiões. Todos são predominantemente católicos, mas tanto Crapíuna, quanto Terezinha procuram a magia negra para conseguir algumas coisas, e o curioso é que esse ritual é feito para Santo Antônio que, pelo que eu sabia, era apenas o santo casamenteiro.

As críticas que encontrei sobre o livro disseram que a linguagem é retórica demais, mas eu discordo. Olímpio demonstra conhecer bastante da vida, rotina e linguajar do sertanejos, mas sem encher o texto de palavras coloquiais, como os modernistas, que dificulta um pouco a leitura dos que desconhecem os termos regionais.

O Determinismo no enredo é marcante. Os personagens apontam a seca como a causadora de seus problemas. Mas não é só nesse sentido. Eles também levantam a Lei do mais forte, da evolução das espécies, por isso o sertanejo teria muita dificuldade de demonstrar sentimentos.

Tem um outro determinismo mais literário. Além do triângulo [obtuso] amoroso, há muitos personagens secundários que influenciam diretamente o percurso da história: Terezinha, Raulino, Dona Zefinha, Belota, Quinotinha, Gabrina, Promotor, Matilde, delegado, Gabrina, e esses são só para citar os que aparecem um pouco mais. Desses, fora Terezinha e D. Zefinha [mãe de Luzia], aparecem uma vez ou outra, somam à história e depois somem! Mas afinal, sua história é escrita só por você?

Carlos Augusto Ribeiro Neto
http://caribeironeto.blogspot.com/
http://twitter.com/caribeironeto/

5 comentários:

Thiago César disse...

mash, da proxima vez tenta nao contar o final, vah lah! hehehe...
boa ideia essa de colocar os endereços eletronicos no final junto à assinatura. eu ia fazer de outro jeito, mas acho q vou te imitar!
=P

Thayanne Freitas disse...

Deu até vontade de ler a obra! Gosto de livros que conseguem demonstrar um certo regionalismo. :D
Mas concordo com o Thiago, que contar o final da história não é uma boa ideia.

E que venha mais domingos de Literatura!!

=)

A moça da flor disse...

concordoooo
negócio do botar o final - -'
pelo avisa xD
inda bem que vi que li foi o livro todo não só parte dele como tinha achado...
mas gostei da resenha!
interessante a proposta do blog gostei! =)

Camila Travassos disse...

Então vamos lá:

1º- Realmente, estavas certo ao me dizer que teu texto está sério (ou a minha forma de escrever que é avacalhada demais, não sei...).

2º - Se tem uma coisa que eu não aprecio, é que me conte os pormenores ou aquilo que é mais importante de um livro ou filme. Logo, concordo com os comentaristas acima: é melhor não contar o final da história. Por que, afinal de contas, como canta Paulinho Moska, "então me diz qual é a graça de já saber o fim da estrada quando se parte rumo ao nada?" XD

Espero mais indicações.

(:

Denise Monteiro disse...

Gostei da resenha. Ela é direta e com um misto de informalidade e formalidade, logo, alcança o prestígios de diversos leitores. A temática da obra parece-me interessante, até porque aprecio esse tom Naturalista em obras, apenas não gostei do nome das personagens... Dá o suposto tom regional, atinge um efeito, mas talvez torne-se forçoso demais. Mas terei que ler a obra para fazer alguma crítica literária.
E sobre o final, acho que os comentaristas acima deixaram largo o recado...eheheh

No mais,

Belo trabalho, leitor.