domingo, 3 de julho de 2011

Menino do rio ou não da Martinália


Com o quadro invertido, Camila Travassos falando de literatura, falarei eu de música. Dessa forma, não poderia deixar de falar do álbum que mais me faz berrar cantando junto atualmente. O CD Menino do Rio, da cantora carioca Martinália.
Mostrando seu trabalho de composição e de interpretação, além das músicas de sua composição, ela mostra a diversidade musical que deriva de seu gosto e de suas amizades – canta clássicos e contemporâneos, do samba e da MPB: Martinho da Vila (seu pai e maior mestre), Jorge Agrião, Caetano Veloso, Guilherme Arantes, Ana Carolina, Arlindo Cruz, Moska, Leoni, Zélia Duncan etc.
Esse álbum vai aglutinar muitas das coisas que mais gosto: samba de raiz, sentimentalismo, alegria, entrega à paixão, percussão forte, grande apelo à letra da música e um grande louvor à mulher brasileira.
O samba de raiz é exaltado no começo do álbum com a melhor fase do Martinho, em suas músicas em homenagem ao mar e à Rainha da águas: “Prometi novamente voltar pra's águas/ Se a força do mar me vingasse as mágoas/ Esperei, me curvei/ e na terceira onda entreguei pra Jana/ Ína, meu amor!/ Vaidosa e brejeira, Mãe menina
A música da Ana Carolina, Cabide, é a mais ovacionada do álbum, pois foi junto com o bum da compositora nas rádios do país. Uma letra realmente impecável e um trabalho de percussão difícil de critica: “E se eu sumir dos lugares, dos bares, esquinas/ e ninguém me encontrar/ E se me virem sambando até de madrugada/ e você for até lá”.
Mas, para mim, a melhor música é da própria Martinália, chamada Pretinhosidade, que o refrão é incrível, mistura técnica de escrita, ritmo e encanto como poucos poetas: “Riscos vem à tona/ Eu pareço um otário/ Com você que é uma pedra em meu caminho/ Minha pedra preciosa/ Minha preciosidade, minha preciosa idade/ Minha presa/ Minha fé silenciosa, meu atalho ,meu destino/ Minha pretinhosidade, minha festa/ Minha seta, minha flecha
Encerro minha adoração com o verso que mais gosto, da Martinália também. Minha cara, tantas caras, de tantos caras como eu, meninos do rio ou não: “Talvez na solidão/ Eu possa ser mais feliz”.


CA Ribeiro Neto

3 comentários:

Thiago César disse...

boa dica, mas embora eu tb goste muito de samba, acho q tá na hora do pessoal q escreve sobre musica nesse blog falar de outros estilos tb, né!
hehehe...

Thayanne Freitas disse...

O mais engraçado desse post foi que duas semanas antes assisti uma matéria na tv cultura com a Martinália e a influência dos ritmos e dos artistas da Angola.Magnifique!!

A primeira coisa que eu fiz foi baixar o cd, ouvir e depois ler o teu post :P

Fiquei encantada com a obra, que oferece um "gostinho" de músicas tão maravilhosas.

Gostei também da forma como você desenvolveu o seu texto. Arrasou Carlinhos!!

:D

Camila Travassos disse...

Gostei da inversão que fizemos - principalmente porque me possibilitou falar de Rubem Fonseca xD

Mas devo dizer que senti falta de alguns aspectos que, para mim, poderiam ter sido incluídos no teu texto, como por exemplo, as influências musicais da Martinália - ficou apenas como uma menção no teu texto. Fora o fato de que acho que seria interessante mencionar os nomes dos músicos, compositores e/ou produtores do cd - tornar público esses nomes desconhecidos.

#ficadica

(;