domingo, 1 de maio de 2011

Que baque é esse?


Um novo ciclo do ApontArte começa. Cá estou novamente a falar de música. Nesse um mês, musicalmente falando, a vida não mudou tanto: minhas audições e buscas continuam a todo vapor. Entretanto, deparei-me com uma questão a qual me intrigou e fez-me torná-la tema deste post: O que tem em Pernambuco que faz sair tanta música boa de lá?

# Nega, que baque é esse?

Só pra vocês terem noção da presença de Pernambuco no que tenho ouvido, vou citar alguns dos meus últimos downloads: China (ex-vocalista do grupo Sheik Tosado, saiu em carreira solo e atualmente apresenta o programa Na Brasa na MTV), Mombojó (banda que possui três cd’s lançados em 10 anos de carreira), Otto (ex-percussionista da Nação Zumbi e do Mundo Livre S/A, é cantor e compositor), Nação ZumbiCordel do Fogo Encantado (grupo musical e teatral que encerrou suas atividades em 2010), Naná Vasconcelos (percussionista, toca berimbau). Sem falar em Seu Chico (banda que faz releituras de Chico Buarque. Tudo música boa. Tudo som peculiar e característico.
Entretanto (e talvez), o primeiro pernambucano de quem me dei conta foi Lenine. Foi assistindo ao Acústico MTV que me deparei com tudo que Lenine (e de quebra Pernambuco) é capaz de produzir. Dificilmente encontrarei um músico que, no mesmo dvd, tenha como participação especial Cristina Braga tocando harpa (sim, queridos, Lenine a chamou pra tocar har-pa!), Richard Bona, baixista e cantor africano que fez uma versão de A medida da paixão em francês e camaronês (mais uma vez: ca-ma-ro-nês) e Igor Cavaleira, ex-baterista do Sepultura, pra tocar a segunda bateria em Dois olhos negros juntamente com Pantico Rocha (batera do Lenine). Como disse Lula Queiroga, outro pernambucano, compositor parceiro de Lenine: o acústico do Lenine não é comercial, é pra quem curte realmente música.
Depois disso, Lenine enquanto músico, cantor, compositor e produtor adentrou ainda mais em minha vida – meu blog não tem o nome que tem à toa. Busquei outras coisas: o dvd InCité, gravado na França com as únicas e exclusivas participações de dois músicos: percussionista argentino radicado na Bahia há muitos anos, Ramiro Musotto; e Yusimil Lopez (Yusa), baixista cubana; o cd “Olho de Peixe” feito todo em parceria com Marcos Suzano, percussionista carioca que toca pandeiro que é uma beleza! Isso sem contar a banda-base do Lenine: Jr Tolstói, guitarrista, que se reconstrói no Acústico com violões e craviolas; Guila, baixista, que toca muito e conseguiu fazer “O” acústico; e Pantico Rocha, baterista, que recentemente lançou o cd “O barulho do sol do meio-dia” (parceria com Marcus Dias, músico cearense).
Enfim, deu pra perceber que Lenine me fez ficar em estado de alerta para tudo que ele produz e para tudo que Pernambuco podia oferecer musicalmente a mim. Sem sombra de dúvidas, se hoje curto/ouço todos esses os quais mencionei e se hoje reparo com mais atenção em tudo que chega aos meus ouvidos, com certeza, Lenine influenciou-me diretamente. Ou como ele mesmo escreveu:

Dizem que faço uma música que agrega manifestações musicais brasileiras e de outros cantos do mundo. Sons que não se encaixam em um único gênero e desconhecem limites. Eu concordo. Pelo menos, é o que tento! (trecho retirado daqui)

[Tenta, Lenine? Ah, vá!]

#Mas que som é esse que vem de Pernambuco?

Consequentemente e inevitavelmente, o manguebeat seria o próximo som que me prenderia. Movimento musical que alcançou fama nacional nos anos de 1990, o manguebeat é, na minha humilde e insignificante opinião, a concretização de tudo o que Pernambuco é capaz de nos mostrar. Misturar os tambores (instrumento tão ancestral) do maracatu com o eletrônico (algo tão característico do final do século XX) é o retrato do que Pernambuco é: uma inesperada e surpreendente congregação musical.
Chico Science se foi. Mas a Nação Zumbi continua. E por influência dela tem-se hoje China, Mombojó, Otto – iguais e diferentes entre si e daquilo que foi a Nação Zumbi. O que a Nação cantou continua a pulsar, de alguma maneira, em outros músicos, de outros estados, de outros modos de falar.
Nunca fui ainda a Pernambuco. Não conheço as ladeiras de Olinda e nem consigo dimensionar como é o Galo da Madrugada, mas digo uma coisa: Pernambuco, ainda assim, divide espaço no meu coração com a minha terrinha carimbozeira.

Antes de encerrar, já que estou me prolongando por demais, se quiserem saber mais sobre a música pernambucana, visitem esse site aqui. Ele é do governo de Pernambuco (não, não estou sendo paga para fazer propaganda e nem sequer sei quem é o governador de lá...). Nele você pode achar um pouco mais de informações sobre esses músicos que mencionei, além de outros. Só tenho duas queixas a fazer: a primeira é o fato de nem todas as informações lá estarem de fato disponíveis – mas o site pode servir como ponto de partida. A segunda queixa, para mim, é bem mais séria: COMO É QUE UM SITE GOVERNAMENTAL ESQUECE DE COLOCAR NA LISTA DE ARTISTAS DO MEU QUERIDO LENINE?????
Fica a reclamação.

Reclamações, sugestões e xingamentos, por favor, mais abaixo.

3 comentários:

Thiago César disse...

realmente, pernambuco eh foda musicalmente!
esse acustico mtv do lenine eh massa tb!
post bem merecido!

CA Ribeiro Neto disse...

Pensei que iria falar do Baque Lírico! [Conhecerá essa banda em julho, quando vier aqui em Fortaleza!].


Musicalmente sinto inveja de Pernambuco, pois a única banda cearense que realmente tem a mesma expressão no cenário nacional é a Cidadão Instigado [e eu detesto essa banda, apesar de ter escutado-a o carnaval inteiro...]

Thayanne Freitas disse...

Eita post arretaaado!!

Muitas bandas citadas acima conheci através de Camila como China,Seu Chico...e realmente o batuque de Pernambuco é forte!!

Adoro Cordel tbm!! :D

E quanto ao comentário do Carlinhos...eu tô ouvindo Cidadão Instigado e tô gostando viu!!! :P


Parabéns pelo post Milaaa!

Acho que essa semana vc devia fazer mais um post falando da música paraense, cearense e PAULISTA viu!kkkkkk