sexta-feira, 3 de junho de 2011

♫♪ O Arraial que é do sol, o Arraial que é da lua ♫♪


O bom de poder falar sobre música neste blog é que eu posso passear por inúmeros cantores, artistas e gêneros musicais. Óbvio que o único e exclusivo critério para isso é a minha arbitrariedade (Nice!). E muito daquilo que escolho falar pra vocês tem haver com o que estou ouvindo, em demasia, no momento. E o momento agora é um dos mais aguardados, por esta que vos chateia escreve, no ano: Quadra Junina.

Não sei como funcionam as coisas praí nas bandas onde vocês moram, mas aqui em Belém, apesar de todos os problemas e dificuldades, a tradição junina ainda se mantém. Pode-se dizer que de duas maneiras diferentes: a primeira é a disputa entre as quadrilhas juninas que ocorre ou de forma independente (tipo, alguns bairros e associações se organizam e fazem apresentações nas ruas mesmo) ou por meio da prefeitura de Belém que organização uma espécie de “campeonato”; a segunda maneira (e é a que de fato interessa neste post) é as apresentações de bois-bumbás que também ocorrem nas ruas da cidade.

Aí chegamos ao ponto tããão esperado por mim e por uma quantidade de gente tão ou quase maior do que todos os remistas e bicolores reunidos no Mangueirão  em dia de RExPA: Domingos de Junho. (todos comemora! \o/)

Falar em quadra junina em Belém é falar de Arraial do Pavulagem: um grupo musical que surgiu em 1987 e que sai pelas ruas Belém, sempre em três momentos ao ano (no início do ano, próximo ao carnaval, no chamado Cordão do Peixe-boi; em junho, na quadra junina, durante os 4 domingos; e em outubro, na véspera do Círio, no Arrastão do Círio) numa espécie de cortejo, cantando e tocando carimbó, boi-bumbá, xote bragantino, retumbão, quadrilha e outros estilos musicais característicos da região.

Em 24 anos de existência, o Arraial tornou-se Instituto. E isso significa que, enquanto Instituto, é preciso oferecer ao público oficinas ou cursos relacionados àquilo que o Arraial do Pavulagem se propõe. Acontece então que, sim, existe a base do grupo musical – formado por Ronaldo Silva, Júnior Soares, Marcelo Fernandes, Rubens Stanislaw, Edgar Junior e Rafael Barros - que se apresenta em shows. Porém, o Arraial é mais que isso: os cortejos ou arrastões são formados e divididos por “setores”: a dança, o Batalhão da Estrela (constituído por mais ou menos 300 pessoas que tocam diferentes instrumentos) e os pernas-de-pau. Uma fotinho pra vocês entenderam um pouco mais. Acontece que qualquer pessoa com o mínimo de coordenação motora pode fazer parte ou do grupo de dança ou do Batalhão da Estrela pra tocar ou do grupo de pernas-de-pau. Para isso, é só inscrever-se nas oficinas que o Instituto oferece sempre algumas semanas antes de se iniciarem os arrastões, em junho. É, mais ou menos, o que o Monobloco (outro grupo de percussão) faz no Rio de Janeiro, só que aqui as oficinas são digrátis (todos os lisos comemora! \o/).

 Aí, eis que chega junho. Durante quatro domingos, a partir das 9h da manhã, começa a concentração das pessoas que sairão no cortejo (dançando, tocando e em pernas-de-pau) e, logicamente, uma multidão de pavuleiros com seus chapéus de palha cheios de fitas coloridas, que acompanham o arrastão que sai da Escadinha, um cais de porto no qual acontece a chegada do traslado fluvial do Círio de Nossa Senhora de Nazaré  no segundo domingo de outubro. Fica ao lado da Estação da Docas, seguindo pela Avenida Presidente Vargas, até a Praça da República, lugar no qual acontece sempre um show do grupo. Mais uma fotinho só que do show pra vocês verem a quantidade de gente que participa disso.

Durante 2h mais ou menos, embaixo de um baita sol junino, um calor dantesco, ambos característicos de Belém, rola muito carimbó, quadrilha, retumbão, xote, lundu, siriá, boi-bumbá, marujada. Coreografia, gente, calor, amigos, risos, fitas coloridas e alegria. Sou suspeitíssima pra falar sobre isso, já que acompanho (junto com minha fiel companheira de todos os arrastões em todos os lugares @lapetit_th) esses cortejos há uns 5 ou 6 anos. Domingos de junho tornaram-se sagrados. E enquanto eu agüentar, lá estarei.

Neste ano, os cortejos começarão dia 12 e acontecerão nos dias 19, 26 de junho e 03 de julho. Desde o início de maio estou numa contagem regressiva. E faltam apenas: 8 dias – e diminuindo \o/.

Por conta disso, esse mês de junho, Thayanne e eu resolvemos fazer posts especiais sobre o Pavulagem. Este é apenas o primeiro.


Reclamações, sugestões e xingamentos, por favor, mais abaixo.

3 comentários:

Thayanne Freitas disse...

Arraial do meu coração!!!

Esperar os primeiros meses do ano já pensando em junho, não tem preço!!É satisfação na certa :P

Acompanhar os arrastões pela cidade,cantar e dançar a cultura paraense é MARAVILHOSO.

Eu tive a oportunidade de participar efetivamente dos Arrastões do ano passado, tocando maraca, e sem dúvida foi uma das melhores experiências que já vivenciei.

"Batalhão da Estrela" - Arraial do Pavulagem

Abre os olhos, morena
vem ver meu boi
Tá vindo da estrela,
traz batalhão afiado
e o couro bordado
pro contrário ver.

Sei que ele ainda sente saudade
quando vê a bandeira azulada passar pela praça
modelo de graça do meu são João.

Do arraial que é do sol
do arraial que é da lua
do povo na rua
do meu guarnicê.

Canta, Vardé!
Vardé das cuieiras
que eu estrondo lá fora
e quando eu for embora, contrário
nesse adeus é que tu choras.

(Cd's: "Gente da nossa terra", "Arrastão do pavulagem" e "Ao vivo")

Camila Travassos disse...

Só quem vai pelo menos a um arrastão do Arraial do Pavulagem nessa vida sabe bem o que é ver a alegria transbordando nos rostos e sorrisos daquele mar de gente, que acorda religiosamente aos domingos de junho com o único intuito: ser feliz ao som das toadas de boi-bumbá e carimbós.

Arraial do meu coração!

S2

(:

Thiago César disse...

eita que agora deu vontade de conhecer esse negócio aí! hehehe...