segunda-feira, 6 de junho de 2011

A gramática e minha literatura

Esse post será meio autoindicativo, mas é que levantarei um ponto que particularmente gosto de escrever: usar de regras gramaticais para fazer literatura.

Primeiro, uma poesia minha, onde, respectivamente, utilizo um tipo de aposto para cada estrofe: enumerativo, recapitulativo, oracional e explicativo.

Agora, sinto

Lembro-me de ti com facilidade:
Uma música que fale sobre saudade,
Uma poesia de amor sofrido,
Uma menina tímida com um belo sorriso,
Uma daquelas lanchonetes por toda a cidade.

Quando vejo uma criança brincando na rua,
Quando escuto sobre uma deusa do candomblé,
Quando vejo uma pele igual a sua,
Quando comungo contigo a nossa fé:
Tudo ao meu redor para ti conflua.

Agora, sinto, desabafo:
Quanto mais ficamos afastados,
Mais sinto falta de tê-la ao meu lado.

Então, desculpe-me, por favor:
Por não estar contigo aonde você for.
Também comungamos o mesmo choro e a mesma dor.

CA Ribeiro Neto

Agora, uma prosa,  onde quero falar da falta de iniciativa da sociedade e, para isso, enfatizo com quase todas as orações na voz passiva:


Agentes na passiva



Os impostos são pagos pela gente. Os políticos são eleitos pela gente. Os deveres são exercidos pela gente. Mas nosso direitos não são utilizados pela gente. E isso deveria ser mudado pela gente. Mas a gente não tem voz. A gente mal age. Somos agentes na passiva.
Os preconceitos são alimentados pela gente. As chacotas são ridas, e propagadas, pela gente. As corrupções são compactuadas pela gente. Do mesmo modo que as filas são furadas pela gente. As cervejas dos guardas são pagas pela gente. As más educações são proferidas pela gente. Os acentos aos idosos não são oferecidos pela gente. As crianças e os velhinhos não são respeitados pela gente. As crianças não são educadas pela gente. As pobrezinhas são presas pela gente. Pânico e stresse são passados a elas pela gente. Elas não são escutadas pela gente. Nossas crianças estão sendo excluídas da sociedade pela gente.
Os problemas ao nosso redor não são reclamados pela gente. Grupos organizados não são formados pela gente. Setores da sociedade não são mobilizados pela gente. Líderes não são acompanhados pela gente. Assim como organizações populares não são lideradas pela gente. A gente se omite. A gente aceita tudo. A gente não grita. Somos agentes na passiva.


CA Ribeiro Neto

3 comentários:

Thiago César disse...

esse post tá mais pro blogs de kinta hein! será preguiça, falta de tempo ou de criatividade? =P
a poesia eu nao lembro de já ter lido, mas tá legal!

Thayanne Freitas disse...

"Agora, sinto, desabafo:
Quanto mais ficamos afastados,
Mais sinto falta de tê-la ao meu lado."
Gostei da poesia! :D

Mas eu ainda aguardo uma postagem que me instigue!!

;)

Camila Travassos disse...

Apenas reproduzirei um trecho do comentário do Thiago:

"Esse post tá mais pro blogs de quinta"


¬¬